1993- Manhã- Casa Mendes de Oliveira
-Estou!... Bárbara que surpresa. (Antónia ao telefone com amiga Bárbara surpreendida)
-Nem sabes, o João como meu sócio já deve ter-te falado da loja de roupa que eu vou abrir? (Bárbara muito feliz)
-Sim, claro já me falou e até me disse que a roupa é feita por ti. (Diz Antónia quando aparece João na sala e olha para ele)
-Ainda bem! Ele não te disse que hoje á noite vocês vão ter que sair, ou algo assim? (Pergunta Bárbara muito cúmplice)
-Não, não me disse nada. (Responde Antónia a olhar para João)
João a olhar para Antónia com um ar de quem está preocupado com o que se passa ao telefone.
-Então digo-te eu, hoje é a minha inauguração da minha loja, e vocês vêm. (Bárbara muito contente)
-Está bem, está bem lá estarei, a que horas? (Antónia a olhar para João muito contente)
João fica mais aliviado, mas mesmo assim não fica satisfeito.
-Ás oito horas. (Responde Bárbara)
-Muito bem está combinadíssimo, vá adeus um beijinho. (Antónia e desliga o telemóvel)
Depois de pousar o telefone, João vai buscar um whisky e Antónia diz para João:
-Querido? Não me disseste que a Bárbara ia inaugurar a sua loja hoje… (Diz Bárbara surpreendida)
-Ah! Isso… esqueci-me, como tanta coisa e trabalho lá na empresa que me esqueci. (João mais descansado)
-Ai! Tens é de tirar umas férias. (Antónia)
João ri-se e dá-lhe um beijo.
-Vou lá acima avisar o Alexandre. (Antónia contentíssima)
-Vá, querida. (João)
Quarto de Alexandre (Filho)
-Filho! Alexandre? (chama Antónia)
-Sim mãe? Estava na casa de banho. (Alexandre)
-Hoje á noite vamos á inauguração da loja da Bárbara. (avisa Antónia)
-Asserio mãe? Que seca, odeio ir a festas quando não estão lá os meus amigos. (Alexandre a não gostar da ideia)
-Sim filho vamos a inauguração e ponto, pode ser que alguns amigos da Bárbara tenham filhos e levem-nos. (Diz Antónia convencendo Alexandre)
-Está bem mãe! (Alexandre deprimido)
-Vá não fique triste, vai ver que vai ser uma festa que nunca mais vamos esquecer. (Antónia animando Alexandre)
-Acredito, nunca mais me vou esquecer. (Alexandre falando entre dentes e a pensar)
22:40h- Inauguração da loja de Roupa da Bárbara
-Ai meu amor esta inauguração está a correr as mil maravilhas, não acha? (perguntou Antónia)
-Sim, a Bárbara fez um ótimo trabalho. (responde João)
-Quem diria que ela um dia viesse a inaugurar uma loja de roupa criada por ela. (Antónia)
-É, quem diria (João distraído)
-O que se passa António? Está muito nervoso! (António)
-Eu nervoso? Que disparate estou normalíssimo, meu amor. (João)
-Bem eu vou ver o que o Alexandre anda a fazer. (Antónia)
-Deixe-o estar a divertir-se. Vamos ver algumas peças de roupa. (Surge João)
-Sim vamos. (diz Antónia, dando o braço a João)
-Gosto muito daquele vestido, não acha lindo querido? (Pergunta Antónia)
-O quê? Sim, o vestido. (João muito distraído e preocupado)
-O que se passa João? Está muito nervoso e… completamente nas nuvens (Antónia preocupada)
-Não ligue querida, deve ser da inauguração, afinal a loja da Bárbara também tem o meu contributo. (João)
-Bárbara? Espero pelo menos que estejam admirar o meu trabalho? (Interrompe Bárbara na brincadeira)
-Sim, Claro está fantástico. (Responde Antónia)
João afasta-se e vai ter com uns amigos na inauguração.
-Antónia vem ver comigo ali um vestido, que de certeza que amanhã estás cá a meter os pés para o comprar. (convida Bárbara)
-Claro deve ser um máximo! Lembras-te, quando eramos miúdas e levava-mos roupas de casa para a escola para trocar por uns dias? Ahahah tínhamos os mesmos gostos. (Antónia feliz a relembrar o passado com a melhor amiga)
-Então não me lembro, é como fosse ontem, ahahah. (Bárbara)
Antónia e Bárbara vão ver o vestido, enquanto Alexandre se diverte sozinho no muro lá fora afastado da festa, com um jogo de legos.
Pouco tempo depois, aparece alguém com uma capa preta por traz e mete-lhe um pano na boca com um líquido para adormecer, e em segundos levam-no.
-Fiquei deslumbrada com aquele vestido, nunca pensei que tivesse mãos para a costura. (diz Antónia para Bárbara)
-A vida é feita de surpresas, já devias saber isso. (Bárbara)
-Lembras-te quando o Gustavo o meu namorado no 5ºano me fez uma serenata lá na rua, tavas a dormir em minha casa, bem o meu pai ficou passado. (Bárbara)
-Ahahah pois foi, foi tão engraçado, se visses a tua cara de apaixonada. (Antónia)
-E… por falar em paixões, nunca mais me disseste nada de namorados novos. (Antónia)
-Ah! Tenho lá tempo para isso, os meus namorados agora é a linha a agulha e a loja. (Bárbara contente)
-Ahahah (ri Antónia)
João afasta-se dos amigos com quem está a conversar e recebe um telefonema estranho.
-Sim? (João)
-Conseguiste? (João)
-Muito bem, amanhã conversamos. (João, desliga o telemóvel)
-Estavas a falar com quem, meu amor? (Antónia repara que João estava a falar com alguém ao telefone)
-Ah! Era com um modelo lá da empresa (João muito estranho)
-Bem eu vou ver do Alexandre. (Antónia)
Antónia vai lá fora ver Alexandre e não o encontra, vê os legos caídos no chão, volta para dentro e procura na loja, mas também não o encontra, João está animado a conversar, quando Antónia o interrompe assustada:
-João! (Chamou Antónia)
-Sim? Minha querida (João)
-Já corri tudo e não encontro o nosso menino. (Antónia assustada)
-Calma Antónia, ele deve estar algores por aí, com certeza que deve ter encontrado alguém da idade dele e agora andam por aí a brincar as escondidas. (João acalmando Antónia)
-Sim é capaz de ter razão, mas pelo sim e pelo não vamos á procura dele. (Antónia pressentindo alguma coisa)
-Vá vamos! (João)
E vão á procura de Alexandre, pouco tempo depois voltam.
-Bárbara! Bárbara! (Grita desesperada Antónia)
-Fale baixo Antónia, o que se passa? (pergunta Bárbara espantada)
Antónia começa a chorar e não consegue explicar o que aconteceu.
-João o que aconteceu para a Antónia… e agora tu estarem neste estado? (pergunta Bárbara reparando que João também começou a chorar)
-O… O Alexandre desapareceu! (Explica João não conseguindo falar)
-O quê? O vosso filho… (Bárbara)
-Sim Bárbara o nosso filho despareceu. (Grita Antónia exaltada e a chorar)
-Ele não deve ter ido longe. (Bárbara tentando acalmar Antónia)
-No meio desta gente toda conhecida e desconhecida, ainda dizes que ele não deve ter ido longe? (Antónia exaltada)
- Bárbara o Alexandre pode ter sido raptado. (João desesperado)
-Cala-se João, Cala-se, não diga isso o nosso filho não pode ter desparecido, o nosso filho não! (gritando a chorar)
Toda a gente na festa estava a olhar e a comentar o que se tinha passado, a música de fundo parou, no instante, aquilo tronou-se num filme de terror…
-Muito bem a inauguração termina aqui, podem ir embora, obrigado por terem vindo, boa noite. (Bárbara nervosa)
-Os convidados já estão a sair, eu vou fechar a loja e vamos á polícia. (Bárbara querendo ajudar)
-Á policia? Uma criança de seis anos pode ter sido raptada e ainda vamos á policia? Bárbara por amor de deus, eu nem que tenha de ficar cinco anos á procura dele, mas o meu filho não! (Antónia a chorar)
-Eu não estou acreditar nisto, eu devo a sonhar. (João desesperado)
Dia Seguinte, 08:12, Casa Família Mendes de Oliveira
Antónia estava no sofá sentada a pensar ainda com o vestido da festa de ontem.
-Bom dia minha querida. (João)
-Bom dia? Eu nem sei como é que foste capaz de dormir. (Antónia ainda em estado de choque)
-Antónia, eu posso ter adormecido, mas nem sabe os pesadelos que eu tive por causa do Alexandre, eu estou preocupadíssimo. (João)
-Logo hoje que temos o casamento da Júlia e do Carlos, não tenho cabeça para nada. (Antónia desesperada)
-Ah! É verdade o casamento. Eu vou ligar ao Carlos e dizer que não vamos poder ir, e explico-lhe o que aconteceu (João)
-Faça isso João, faça isso. (Antónia desesperada)
João Liga para Carlos…
-Estou? (João)
-Estou João, epá nem sabes a fardióta que eu vou levar, vou pior que o padre. (Carlos a ser irónico enquanto pega na farda, no quarto)
-Carlos eu e a Antónia… (João não conseguindo explicar a situação)
-Tu e a Antónia o quê? Separaram-se? (Carlos)
-Não… (João
-Estás muita estranho o que se passa? (Carlos a ficar preocupado)
-O Alexandre… (João)
-O Alexandre o quê? (Carlos)
-Desapareceu, e eu e Antónia não vamos poder ir ao teu casamento e da Júlia. (João)
-Desapareceu? Isso foi quando? (Carlos em choque)
-Ontem á noite enquanto estávamos na inauguração da loja de roupa da Bárbara. (João)
-Epá com muita pena minha não vou poder-vos ajudar, hoje é o meu casamento. (Carlos)
-Não é preciso, que tenhas um bom casamento (João, triste)
-Ainda bem que eu e a Júlia não fomos, se não a nossa Vera ia pelo mesmo caminho. (Carlos)
-Epá desculpa João não era bem assim que eu queria dizer. (Carlos apercebendo-se do disparate que disse)
-Vá Carlos falamos noutro dia, diverte-te. (João desliga o telemóvel)
Quarto de Carlos e de Júlia
-Quem era Carlos? (pergunta Júlia)
-Era o João. (Carlos um pouco em baixo)
-Para quê? Não me digas que eles não vêm ao casamento. (Júlia Preocupada)
-Não meu amor é pior que isso, o Alexandre despareceu ontem na festa de inauguração da loja da Bárbara. (Carlos)
-O quê? Ainda bem que não levamos a nossa Verinha. (Júlia)
-Pois foi exatamente o que eu disse. (Carlos)
-Mas não devias ter dito, sabes que temos de fazer sempre boa figura. (Júlia nervosa)
-Mas foi o que acabas-te de dizer neste momento, tal e qual como eu disse. (Carlos)
-Ah! Carlos, por amor de deus, vá até logo, falamos no altar. (Júlia a despachar irritada)
-Até Logo meu amor. (Carlos)
Casa Família Mendes de Oliveira
-Não chore meu amor, o Alexandre ade aparecer. (João)
-Espero bem que sim querido, sem o meu filho, metade da minha vida vai embora. (Antónia a chorar)
João abraça Antónia e respira fundo…


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