
INT. CASA DOS VALENTE – SALA DE JANTAR DIA
Rute e Mário preparam-se agora para sair de
casa para irem trabalhar. Ao mesmo tempo, Gonçalo entra na sala ainda de pijama
e com cara de quem ainda dormia mais um bocado.
RUTE
Bom
dia filhote! Ainda assim vestido?
Rute
dando um beijo a Gonçalo.
MÁRIO
Claro que ele ainda está de pijama. Onde é que acha que ele vai?
Trabalhar? Seria bom.
GONÇALO
Sabe porquê que eu
não vou trabalhar? Porque acham que eu não sei fazer nada, sou um
irresponsável… Só o Miguel é que é o filho perfeito.
RUTE
Gonçalo, o menino
sabe que nós temos razões suficientes para não o deixarmos gerir o hotel com o
seu irmão. E já falamos sobre o Miguel ser o “filho perfeito”. Nós gostamos dos
dois por igual.
GONÇALO
A mãe até pode gostar, agora o pai… E para além disso você só gere o
salão de estética do hotel.
MÁRIO
A tua mãe gere o salão, mas também é dona do
hotel e sabes que mais? Eu, eu
próprio
nunca, mas nunca te poria a gerir os negócios.
Assim que Mário diz isto sai de casa.
Gonçalo
senta-se na mesa do pequeno-almoço.
RUTE
Vá porte-se bem e até logo.
Rute pegando na mala e ao mesmo tempo dando um beijo a
Gonçalo.
Rute
vai se embora. Gonçalo fica na mesa, boceja, pega num pão-de-leite e vai para o
quarto com ar de sono.
EXT. CASA
DOS VALENTE – EXTERIOR DIA
Mário está
abrir o carro quando chega Rute.
RUTE
Tem de ter mais calma a falar com o Gonçalo, Mário.
MÁRIO
Mais calma, Rute? Sabe onde está o Miguel? O
Miguel levantou-se ceadíssimo para ir tratar da viagem de negócios que vai
fazer amanhã.
RUTE
Eu percebo, querido. Mas tente perceber que o
Gonçalo faz isto para chamar
atenção.
Mário respira fundo.
MÁRIO
Está bem, está bem. Eu logo falo com ele, agora podemos ir?
RUTE
Sim, claro.
E
Rute entra no carro. De seguida entra Mário.
INT/EXT. CARRO DIA
Mário liga o carro e ao mesmo tempo é questionado por
Rute.
RUTE
Já agora, ainda não me falou nada sobre essa tal viagem que o Miguel
vai
fazer.
Mário começa a fazer marcha atrás com o
carro.
MÁRIO
Ah, é uma viagem atrás – os – Montes. É uma
reunião com outro grupo
de um hotel.
E arrancam.
INT.
HOTEL VALENTE – GABINETE DE MIGUEL DIA
Miguel está de costas a mexer num armário.
Está a tirar uns dossiers.
Segundos depois vira-se e finalmente o vê-mos.
Miguel
sai junto do armário com um dossier e senta-se á secretária. Depois de
sentado
abre o dossier. De repente batem á porta.
MIGUEL
Sim?
Abrem
a porta.
LAURA
Posso ou estás muito ocupado?
Miguel
sorri assim que vê Laura.
MIGUEL
Ó meu amor, claro que podes.
Miguel
levanta-se e Laura entra. Os dois beijam-se muito apaixonados.
LAURA
Decidi vir visitar-te.
Laura
agarrada por Miguel muito sorridente.
MIGUEL
E fizeste tu muito bem.
Assim
que diz isto beija Laura novamente.
LAURA
Bem passei por aqui só para te dar um beijinho e agora tenho de ir se
não
a minha tia mata-me.
MIGUEL
Está bem. Logo jantas lá em casa?
LAURA
Sim, claro que sim meu amor. Vá agora tenho é de ir que a minha tia e
a
Anabela já devem estar no café.
Miguel e
Laura beijam-se.
MIGUEL
Até
logo.
Miguel com um sorriso. Laura abre a porta do
gabinete, volta a olhar para
Miguel e manda-lhe um beijo. Este sorri
apaixonado e volta a sentar-se á
secretária.
INT.
CASA DE ALICE – SALA DIA
Alberto está sentado a ler um jornal, Ana está sentada no sofá a ver
televisão e
Alice prepara-se para sair de casa.
ALICE
Ana! Ainda estás aí
sentada a ver televisão? Já devias estar a pôr-te a caminho para ires para a
escola.
ANA
Se tivéssemos um
motorista…
ALBERTO
Pois, mas não temos.
A tua mãe mando-te desligares a televisão, levantares-te e ires para a escola.
Ana desliga
a televisão, levanta-se de má vontade, pega na mochila e sai furiosa de casa.
ALICE
Já
não sei o que hei-de fazer a esta miúda.
Tiago
entra na sala, já vestido e cheio de pressa para sair.
TIAGO
Bom dia e adeus.
ALICE
Onde é que vais com
tanta pressa.
TIAGO
Nada que te
interesse. Vou onde tiver que ir sem ter de te dar satisfações.
ALBERTO
Olha o respeitinho!
Vê-la como é que falas com a tua mãe!
TIAGO
Tu lê lá o jornal e
cala-te.
Alberto levanta-se e levanta a mão para dar
um estalo a Tiago, mas Alice mete
se á frente e prende-lhe o braço.
ALICE
Calma
pai, calma! O Tiago vai já sair não vai?
Alice
continuando a agarrar o braço de Alberto e fazendo uma olhar a Tiago.
TIAGO
Eu
vou e qualquer dia não volto. Vidinha de pobres.
Alice
solta o braço de Alberto.
ALICE
É esta vidinha de
pobre que te põe comida na mesa. A tua irmã Vitória está a trabalhar na
livraria para nos ajudar, eu e o teu avô trabalhamos no café para sustentar
aquela que tu chamas “vidinha de pobre”. Agora pergunto-te o que é que tu fazes
para a melhorar? Diz-me, o quê?
TIAGO
Quando eu mexer um
dedo para ajudar, é para me ajudar a mim e sair desta
vida,
deste bairro, desta miséria.
E
sai de casa.
Alice
mete as mãos na cabeça e respira fundo.
ALICE
Que mal é que eu fiz
a deus?
ALBERTO
O Tiago e a Ana já
andam a precisar há muito tempo. E tu como sempre defende-os.
ALICE
O pai e a mãe nunca
me educaram a bater e eu não vou educar os meus filhos a bater.
ALBERTO
Eu e a tua mãe não te
batemos porque tu não eras assim e nunca precisas-te.
ALICE
Olha vamos parar de
falar da mãe que deus a tenha e senta-te, descansa que eu vou para o café.
ALBERTO
Desculpa? Eu também
vou para o café!
ALICE
Lá está ele a querer
ir para o café. Ó pai eu já te disse que aguento o café sozinha.
ALBERTO
Mas eu trabalho lá
todos os dias, é lá que me distraio, é lá que me sinto perto da tua mãe.
ALICE
Pronto,
anda lá.
E
saem de casa.
INT.
LIVRARIA DIA
Alice
está a registar alguns números dos livros no computador. Ao mesmo
repete-os
em voz alta.
VITÓRIA
6,9,4,6,0…
Tomás
entra e interrompe-a assustando-a.
TOMÁS
Bú!
Vitória
assusta-se.
VITÓRIA
Ai
que susto!
Colocando
as mãos no peito.
TOMÁS
Olá,
meu amor.
Beijando Vitória.
VITÓRIA
Epá podias ter
entrado de outra maneira. Estava aqui tão entretida a registar os
livros.
TOMÁS
Bem
passei por aqui para te dar um beijinho. Hoje vou tentar a minha sorte e vou
ver
se os “famosos” Valente me arranjam lá um trabalhinho no hotel.
VITÓRIA
Então
vai lá e depois diz-me alguma coisa.
Tomás
olha Vitória com um ar muito interrogativo.
TOMÁS
Estás
muito estranha comigo ou é impressão minha?
Vitória
fica sem jeito.
VITÓRIA
Não… É impressão tua.
Eu é que ando um bocadinho preocupada com as
coisas lá em casa.
TOMÁS
Ah,
ok! Então vá, eu vou indo. Até logo.
Beijando
Vitória.
Assim
que Vitória recebe o beijo de Tomás e este vai se embora esta fica com uma cara
triste e logo se “afunda” no trabalho novamente.
CONTINUA…
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